sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Fórum 11 (Obrigatório)

O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. (...) De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. (...)
Não é verdade, leitor de bom-senso, que neste momento histórico só há lugar para o humorismo? Esta decadência tornou-se um hábito, quase um bem-estar, para muitos uma indústria. (...)
Não sabemos, talvez, onde se deve ir: sabemos, decerto, onde se não deve estar.
                                 Eça de Queirós, "Uma Campanha Alegre", in As Farpas, s.d., Livros de Brasil


A propósito da situação social, económica e política atual, frequentemente se cita Eça de Queirós e nas suas palavras se encontram retratos perfeitamente adaptados aos tempos que vivemos. O excerto acima, retirado de uma publicação quinzenal assumida pelo escritor e Ramalho Ortigão, poderá enquadrar-se nesse conceito de atemporalidade? Em que medida se encontram reflexos da nossa época na descrição cáustica feita pelo autor?




32 comentários:

  1. É importante notar que, no século XIX, Portugal atravessava uma grave crise económica e social causada pela independência do Brasil; pelas invasões francesas e pela guerra civil.
    Com As Farpas, Queirós e Ramalho Ortigão, autores da época, pretendiam fazer crítica de costumes e analisar a sociedade portuguesa, interessados na reforma de instituições em crise.
    Uma vez que, atualmente, Portugal atravessa uma situação idêntica à do século XIX, encontram-se, nas descrições da época, reflexos fiáveis da situação atual e, por isso, se pode afirmar que a maioria do património literário da altura é intemporal aos dias de hoje.

    “Purificai-vos aprendendo.”, [em relação ao povo “ignorante e corrompido”]
    Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, in As Farpas

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  2. Como a Margarida já referiu e é preciso ter em conta, no século XIX Portugal estava a enfrentar uma grande crise económica e social.
    Com o texto a cima podemos ver como as coisas estavam na altura, e assim podemos comparar com o que acontece actualmente. Em pleno século XXI, Portugal encara um dos piores momentos a nível económico da sua história, ocorrendo tudo o que o autor enunciou na sua crónica.

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  3. Como já foi referido, no século XIX Portugal enfrentou uma crise económica e social grave, tal como Portugal está a enfrentar neste momento.
    Alguns escritores como Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, que escreviam com o objetivo de criticar o povo, dizendo que o povo era "ignorante" e criticando os seus costumes, como referiu a Margarida.
    Com estes textos conseguimos fazer uma comparação com a actualidade e dizer que se enquadra num conceito de atemporalidade.

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  4. Eu concordo com o que foi dito com as minhas colegas, pois realmente o texto se enquadra no nosso dia-a-dia, no nosso pais debaixo dos nossos narizes.Cada vez mais os salarios descem devido a crise, sendo o estado o principal ladrao.Eça de Queros e Ramalho Ortigao ao escreverem os seus textos tim um simples objetivo, criticar a sociedade, dizendo que eram ignorante, e criticando so seus costumes e ações.

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  5. Como já foi referido pelas minhas colegas em cima, no século XIX, Portugal enfrentou uma grave crise económica e social, como também podemos verificar agora, na precária situação do nosso país.
    Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, grandes escritores da época, pretendiam criticar os costumes da sociedade portuguesa daquela época, o humor mórbido que se cultivava. Defendia, em conjunto dos outros da Geração Coimbrã, que, para a situação melhorar, o país teria de se unir e trabalhar em conjunto nesse futuro melhor. Até aí, Portugal não seria um bom local para se estar.

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  6. Todos somos da opinião de que o país, sem dúvida, já viu melhores dias. De facto, ‘’(…) a ruína económica cresce, cresce, cresce (…) ‘‘ e não é só nesse aspeto que, devido à atemporalidade das proposições, a partir do séc. XIX, os autores nos fizeram uma descrição realista dos tempos atuais: continuamos com as mesmas mentalidades, que se traduzem nas mesmas ações e, como seria de esperar, nas mesmas reações.
    Os defeitos do passado (revelados n’As Farpas) arrastaram-se até ao presente, porém, a principal diferença é que, hoje, não temos ninguém suficientemente corajoso para nos confrontar com essa realidade e que motive para a mudança.


    (Se tal acontecesse, admito, provavelmente, continuaríamos na mesma ;)).

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  7. Portugal está a passar por uma grave crise económica e financeira, mas será que os portugueses estão a fazer algo para melhorar o país? Atualmente há vários depotados para gerir este país quando na realidade quantos mais depotados estão no governo pior o país está. Nas ruas vesse inumeros mendigos, e quem deveria ajudar esses mendigos era o estado, resultado que não se verifica pois o povo é que os ajuda. Os preços aumentam de forma critica e os salários diminuem a cada dia que passa. Onde há um povo tem de haver uma boa governação e devido a ignorância dessa governação um país que em tempos ja foi muito rico hoje está mal.

    Ass: Nuno Nº24 11ºA

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  8. Visto que Portugal se encontra numa grave crise económica e financeira isto leva a que o estado de espirito da população esteja mais a flor da pele , tal como pudemos verificar em Eça de Queirós e Ramalho Ortigão que faziam criticas ao povo portugues e às suas atitudes. Com isto podemos concluir que Portugal continua o mesmo e parece que sem vontade de mudar...

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  9. No século XIX o nosso país estava a ultrapassar uma grave crise económica, tal como agora . Vemos os salários a serem diminuídos, subsídios a serem cortados, impostos a aumentarem, entre outras coisas quem fazem com que muitas famílias se vejam num beco sem saída.
    A sociedade atual e do séc. XIX estavam, por assim dizer, mal habituada. Ainda hoje, apesar da crise, muitos portugueses tem gastos supérfluos. Os autores queriam transmitir essa mesma ideia.
    Tal como a Andreia disse atualmente não temos ninguém que nos motive para a mudança fazendo-nos ver a verdadeira realidade!

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  10. Na minha opinião, a verdade é que Portugal ja está em crise à muito muito tempo sem nunca se conseguir libertar desse fardo, se calhar a falta de cultura dos jovens do sex XIX, foi substituida pela crise da falta de valores no sex XXI, mas no que diz respeito ao factor economia, os defeitos mantêm-se os mesmos, jovens sem emprego ou mal empregados, o estado continua a ser encarado como alguem que apenas retira direitos sem acrescentar deveres aos seus colaboradores e instituições associadas.
    Na minha opinião que vai se acordo com a de Eça de Queiros senão todo mal, grande parte dele vem da ignorância; seja a ignorância da falta de cultura ou a ignorância de ser continuar a acreditar que tudo vai mudar por si próprio no futuro, de se acreditar fielmente numa fé que vai tornar tudo melhor no futuro e por ultimo a ignorância de se dizer "Antigamente era pior" quando antigamente apesar de existir uma terrivel politica de direitos sociais existiam perspectivas de futuro algo que não existe hoje em dia.
    Assim posso concluir que as afirmações de Eça de Queiros foram são e continuarão a ser atemporais se nada acontecer...

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    1. Corrigir: "à", no primeiro parágrafo; a abreviatura de século é agora "sex"?
      Em todo o comentário faltam acentos gráficos e pontuação.

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  11. Encontro-me de acordo com os meus colegas, pois como no século XIX o nosso povo esta a atravessar uma grande crise económica, o que nós traz como desvantagem o facto de o estado estar sempre a tirar-nos dinheiro o que vai levar a não nos formarmos para ajudar-mos o país. Contudo temos que acreditar no nosso povo, e acreditar que se Salazar conseguiu melhorar a nossa crise económica, nós também conseguimos (:

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    1. Substituir "nós" por "nos", na linha 2; "ajudar-mos" por "ajudarmos".

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  12. Como já foi referido pelos meus colegas o país está a atravessar um grave crise social, politica e económica, o mesmo se verificava no século XIX.
    O factor tempo, deste do século XIX até à actualidade não veio mudar nada, visto que não se mudaram mentalidades.
    O excerto de Ramalho Ortigão demonstra visivelmente as atitudes do povo, criticando-as.

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  13. Como já alguns referiram, Portugal enfrentava uma grave crise económica no sec XIX, tal como ainda hoje o faz. Eça de Queirós utilizou esta situação; a ignorância do povo português naquela altura; (que quando comparada com a do povo atual é a mesma, pois este está sempre à espera que o futuro seja melhor que o presente, mas não faz nada para que isto aconteça) e o facto do Estado não exercer as suas funções corretamente, para criticar a sociedade portuguesa.
    Devido a ainda estarmos perante a crise económica, a ignorância do povo português e um estado que não exerce corretamente as suas funções, acredito que as ideias defendidas por Eça são intemporais aos dias em que vivemos.

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  14. Pelos comentários acima já referidos, ideias também presentes no excerto literário, no séc. XIX atravessava-se uma grande crise económica e social (“O comércio definha; a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. (...)”).
    Igualmente, nos dias de hoje esta situação verifica-se novamente. Políticos e outras entidades responsáveis por dirigir o nosso país, são possivelmente os que retiram todos os direitos dos empregados acrescentando sistematicamente mais deveres e obrigações; os que deviam receber mais recebem menos; as oportunidades de emprego decrescem levando à pobreza e ignorância do país (“A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretárias para as mesas dos cafés.”).
    Podemos então deduzir que o excerto literário é nada mais que um espelho que reflecte a situação actualmente vivida em Portugal. Dada a altura deste excerto (séc. XIX) e a altura em que nos encontramos (sé. XXI) está então enquadrada a questão da atemporalidade, na medida em que a situação de antigamente repete-se da mesma forma nos dias de hoje.

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  15. De facto à que constatar que Portugal no século XIX, passava por tempos difíceis, atravessava uma grande crise económica, política e social. Mas nada que não se passe agora no século XXI.
    Eça de Queirós e Ramalho Ortigão tinham como principal objetivo, criticar a sociedade e a forma como esta se comportava, suas afirmações perduram até aos dias de hoje, no entanto, como disse a minha colega Andreia não temos ninguém que nos motive para a mudança, e que nos faça encarar a verdadeira realidade.

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  16. Concordo com os meus colegas, a sociedade, a economia e a política do século XXI estão em estado semelhante à situação do país no século XIX: em crise.
    Os políticos por mais que tentem resolver os problemas do país, a comunicação social condena-os e como o povo é ainda ignorante acredita em tudo o que a comunicação social transmite. Esta situação provoca manifestações e greves, o que leva a aumentar os prejuízos do país, pois não há produção, e não havendo produção não há lucro.

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  17. No século XIX Portugal enfrentava uma grave situação social, económica e política. Nesta época sentia-se, por todo o País, o descontentamento da população. A maioria do povo português continuava a viver com grandes dificuldades, devido ao aumento do desemprego, aplicação de impostos sobre artigos de consumo, quebra nas exportações, e por diversos outros factores, provocando assim uma grande agitação e mal-estar.
    Com este excerto de "Uma Campanha Alegre", Eça de Queirós pretende criticar a sociedade, criticar os seus costumes e acções, levar a sociedade a sentir que têm de mudar para ultrapassar a situação em que se encontram.
    Devido a Portugal se encontra numa situação muito semelhante à do séc. XIX, uma situação que se reflecte perfeitamente nas palavras de Eça de Queirós, podemos afirmar que existe atemporalidade na situação do país.

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  18. A crise que Portugal atravessa neste momento não é só de agora, mas é a continuação de uma crise que apareceu já há alguns séculos atrás, e crise essa que Portugal nunca curou verdadeiramente.
    Já nessa altura, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, que atravessaram o início desta grande crise criticavam os Portugueses por as suas atitudes tomadas e que nada faziam para que isso mudasse, fazendo parecer assim que não se importavam com o que era feito pelos governantes.
    Eça de Queirós e Ramalho Ortigão dizem-nos que a ignorância pesa sobre o povo pois o povo Português tornou-se um povo ignorante, iletrado, inculto, tanto naquela altura como nos dias de hoje, por isso penso que este excerto acima pode-se inserir num contexto de atemporalidade, pois muitos séculos passaram e a crítica continua muito atual.

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  19. Como já foi dito anteriormente no séc XIX Portugal atravessava uma enorme situçao quer a nível económico , social e politico.Concordo pelo que foi referido pelos meus colegas pois, o texto enquadra-se e muito bem na atualidade, pois Portugal atualmente está a atravessar uma grande crise económica , talvez uma das maiores de sempre na nossa história, podemos também constatar por esta razão que existe uma atemporalidade na situçao do país.

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  20. Como já foi dito por todos/quase todos Portugal vivia no séc XIX numa situação semelhante a da altura.
    O Descontentamento social devido a crise económica ( cortes nos salários ,aumento do desemprego , aumento de impostos ... ou seja situações semelhantes as de hoje em dia).
    Eça de Queirós no seu excerto de "Uma Campanha Alegre" pretende criticar a sociedade, que em vez de se focar no essencial toma hábitos desnecessários os quais levam a esta crise que cresce cada vez mais.
    Com tudo isto podemos concluir que existe uma atemporalidade na situação actual do país.

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  21. Como já foi supracitado, no século XIX Portugal enfrentava uma crise económica e social, tal como se constata nos dias de hoje.
    Eça de Queirós descreveu naquela época o que podemos verificar actualmente no nosso país, como por exemplo, a diminuição dos salários e a diminuição das rendas. O valor das rendas acaba por ser directamente proporcional ao valor dos salários, visto que as rendas são pagas pelos salários.
    Actualmente e como já referi, verifica-se exactamente o mesmo no nosso país por isso pode-se dizer que este excerto é atemporal pois podemos usá-lo para descrever o actual Portugal.

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  22. Ao ler o excerto, todos concordamos que se enquadra no conceito de atemporalidade, todos vemos naquelas palavras o reflexo do nosso país hoje em dia e vemos que a atitude das pessoas de hoje igual ás do sec. XIX.
    "Esta decadência tornou-se um hábito, quase um bem-estar, para muitos uma indústria. (...)
    Não sabemos, talvez, onde se deve ir: sabemos, decerto, onde se não deve estar." Este excerto da obra mostra que as pessoas de hoje e do século XIX habituam-se à crise, esta que já perdura à vários anos mas agora está cada vez pior, e não se importaram em alterar os seus hábitos continuando a cometer os mesmo erros e sem nunca os corrigir.

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  23. A crise no séc XIX era global, económica, social, financeira e politica, tal como a de hoje em dia. Penso que o ideal de Eça de Queiroz ainda se aplica. Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão aperceberam-se que estava algo de errado, a situação estava cada vez pior e a solução do estado era sempre austeridade, talvez porque seja a única maneira de sair da crise, isto é exactamente o que acontece nos dias de hoje ..

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