sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Algumas informações importantes


... sobre o contexto de produção da Mensagem 

Os séculos ulteriores aos Os Lusíadas foram difíceis para o nosso país. Portugal foi, gradualmente, perdendo o seu Império e as suas riquezas. No século XIX, a situação agravou-se. Sofremos as invasões napoleónicas, ficámos subjugados ao poderio inglês, o nosso atraso em relação aos colossos da Europa imperialista era cada vez maior. No plano interno, a hipocrisia de uma sociedade movida pela ganância, retratada em Os Maias, de Eça de Queirós. O governo monárquico caiu em descrédito e com o Ultimatum inglês (1891) o orgulho nacional humilhado. A Geração de 70 dava-se por vencida. Os feitos gloriosos de 300 anos antes pareciam bem longe da realidade portuguesa do início do século XX.
É neste contexto sócio-histórico que Fernando Pessoa escreve a Mensagem. Embora a sua grandeza como obra a torne intemporal, a circunstância cronológica em que foi escrita aumenta a importância do seu conteúdo. Com efeito, o elogio tecido por Pessoa à ambição dos portugueses em partir à conquista de novos mundos constituirá como que uma regeneração do orgulho português, que estava a passar por uma crise de identidade. Daí a ênfase dada pelo poeta na recriação do mito, na virtude de ser português. Pessoa eleva a insatisfação de alma como a maior virtude dos conquistadores portugueses e assume que tem como pretensão mitificar esse espírito português: “Desejo ser um criador de mitos, que é o mistério mais alto que pode obrar alguém da Humanidade”.
A ideia de um livro com poemas de inspiração nacional terá surgido durante a época sidonista (período de governação de Sidónio Pais), em 1917-18.
A personificação desse mito é D. Sebastião. O poeta considera-o um “louco, mas não na acepção negativa que lhe damos, antes com uma conotação, superior, de alguém que é louco “porque quis grandeza / Qual a sorte não dá”. Para Pessoa a loucura é exactamente aquilo que dá ao homem a razão para existir, traduz-se na significância que só alguns conseguem adquirir, sob pena de se tornarem meros seres irrelevantes, caminhando comodamente para a morte: “Minha loucura, outros que me a tomem / Com o que nela ia. / Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria?”. Mas D. Sebastião não é um mero cadáver adiado. É o chefe dos bravos, o arquétipo (modelo) do português ambicioso que quer conquistar novas terras para engrandecer a Nação: “Levando a bordo El-Rei D. Sebastião, / E erguendo como um nome, ato o pendão / Do Império”, lê-se em “A Última Nau”, poema de Mensagem (2.ªparte - “Mar Português”).

(adaptado)


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