1. Comparação entre o poema "Horizonte" e as estâncias de Os Lusíadas
No poema "Horizonte", é o sonho de concretizar um ideal que move os navegadores: descobrir o mundo para além da "abstrata linha" e as consequências da realização desse sonho são apresentadas sob uma linguagem simbólica resumindo-se no vocábulo Verdade - acesso ao conhecimento. O ser humano é animado pelo sonho e por ele glorifica a sua existência. O prémio é, então, o conhecimento da Verdade.
Nas estâncias de Os Lusíadas, a aventura dos navegadores portugueses tem uma dimensão humanista-renascentista - o Homem acedeu ao conhecimento do "húmido elemento" e aos segredos da natureza, através de trabalhos difíceis. Assim, a Pátria é glorificada e imortalizada. O prémio é a imortalização do povo português. A linguagem é épica, referenciando os deuses da Antiguidade Clássica.
2. Justificar a localização do poema "Horizonte" na estrutura de Mensagem.
A segunda parte de Mensagem, Mar Português, tem como tema a descoberta do mar ignorado, representando-se, assim, a vitória da determinação e da ousadia sobre a ignorância. O mar, símbolo simultaneamente da vida e da morte, assume pois, aqui, uma importância determinante, através da descrição feita por Pessoa das aventuras grandiosas, mas também muito dolorosas, que os portugueses sofreram, das quais saíram vencedores, o que lhes possibilitou a "posse dos mares" - Possessio Maris - e assim construir o Império português. O poema "Horizonte" é o segundo desta segunda parte: logo após exaltar as novas descobertas marítimas, em "Infante", o poeta desvenda alguns segredos do sonho que os portugueses pretenderam atingir, os medos que venceram e os prémios que alcançaram.
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